Desenrolando a língua
Há um tempo atrás, um aluno, J.C.D, frequentou as aulas de informática no CIDS, na turma de alunos com necessidades especiais. J.C.D veio da Escola Dona Argentina. Na época, ele tinha 13 anos. Quando ele chegou aqui, era muito quieto e triste. No computador, ele apenas rabiscava em um programa de desenho e mesmo assim, com insistência. Em um dado momento do curso, no qual o (a) instrutor (a) ensinava a fazer pesquisas no Google (um sítio de busca) , no ícone imagens, percebeu-se que ele se interessava pelo personagem Chaves, aquele do desenho da Chiquinha, do Sr. Madruga. Então, o (a) instrutor (a) observou a felicidade dele ao ver o Chaves ali, na tela do computador. Nisso, o aluno começou a chamar todo mundo pra ver as imagens que ele tinha encontrado. Essa descoberta fez com ele ficasse mais participativo e pode-se dizer que desenrolou a língua. Em alguns momentos, até falou demais, atrapalhou o andamento das atividades. Mas, que bom! Com isso, foi relatado pela professora da escola que ele frequentava que, o menino ficou mais alegre e motivado. Apenas por isso, já havia valido a pena. A partir daí, ele se interessou mais por outras atividades, melhorou sua coordenação motora, afinal... ele tinha que encontrar o Chaves no Google. O instrutor ficou muito feliz, assim como toda a equipe do CIDS.
“Marlon Daivison ou será Mailer Daemon?”
“Marlon Daivison é meu amigo. Tem muito tempo que não o vejo! Como será que ele descobriu meu e-mail? Eu bem que desconfiava que ele andava me vigiando e, agora, ele não para de enviar essas mensagens em inglês pra mim, só porque ele sabe que eu não consigo ler. Sabe o que é pior: toda vez que eu entro no e-mail para enviar mensagem para alguém, o “Marlon Daivison” entra também e envia uma mensagem pra mim. É impressionante como ele sabe exatamente a hora que eu estou mexendo no e-mail. Eu vou pegar ele se ele continuar a fazer isto, deixa ele comigo.” Relato de um ex-aluno do CIDS sobre a mensagem “Mailer Daemon” que, para aqueles que ainda não sabem o que é, podem encontrar a resposta no link abaixo... (rs,rs,rs) ....coisa de outro mundo, não acham?
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20060607095334AARuVpm
Libras
Há um aluno no CIDS que se comunica por Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e também faz leitura labial. Ele começou bem tímido, mas agora já está bem adaptado à turma e até ri bastante de mim enquanto faço minhas tentativas em Libras. Na realidade tudo é uma grande troca. Enquanto eu passo à turma conhecimentos de informática, ele me passa alguns de seus conhecimentos em Libras. Algumas coisa eu lembro de uma outra turma que tive quando ainda era monitora no CIDS do Centro. Outras vezes me confundo e acabo tentando fazer o sinal de uma coisa, quando na realidade estou fazendo o sinal de outra. Rimos muito disso, as vezes. Outra situação é que, nesta tentativa de fazer com que o entendimento dele ser o melhor possível, algumas vezes chego a inventar algum sinal que, na realidade, não existe em Libras. Como inventei um sinal para “clicar” e para “apertar a tecla enter” (coisas que são faladas o tempo todo nas aulas). É o velho jeitinho brasileiro com disse ele certa vez...(rs,rs,rs) Um caso à parte foi quando ele quis me ensinar como falar “OK” em Libras, pois sempre que ele me perguntava se o exercício estava certo eu fazia o sinal de “jóia”. Acho que ele quis me dar uma segunda opção. Para quem sabe Libras, é só fazer o sinal da letra “O” e em seguida o da letra “K” bem rapidinho. Acontece que eu não tive coordenação suficiente para isso, e isso foi gerou mais motivos de risos... A maior pérola, no entanto, acredito que tem sido a colaboração da turma no sentido que sempre ministrei as aulas de frente para este aluno, já que o entendimento dele é a partir da leitura labial. É uma turma que vem demonstrando bastante interesse e um rendimento muito bacana.
MUDANÇA DE VIDA......
Nessa sexta-feira dia 02/10/2009, se formou uma aluna no curso de montagem e manutenção de computadores. Ela é uma jovem senhora e como ela mesma diz: "quarentona". Antes do curso de montagem e manutenção, ela fez junto comigo, informática básica, onde relatou na oficina de integração, chorosa, que havia acabado de perder um filho de 22 anos de idade. Seu motivo para fazer o curso aqui no CIDS era simplesmente se distrair e esquecer a tristeza. No entanto, ela gostou tanto de informática que comprou seu primeiro computador e começou a fazer slides para os amigos, com música, desenhos etc. enfim, toda satisfeita e muito risonha. Durante o curso ela se desenvolveu muito. Tudo que ela anotava em sala de aula, ela digitava e imprimia em casa, para treinar. Conseguiu emprego de telemarketing e ficou com a segunda maior nota da turma, 84. Enfim, na sexta-feira, dia da formatura da turma, no momento da entrega do seu diploma ela me disse: "Você e o CIDS fizeram a diferença na minha vida........."